Justa causa pode ser aplicada por conduta incompatível durante afastamento médico

Uma recente decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região traz um importante alerta para empresas sobre o comportamento de empregados durante afastamentos por atestado médico.

O caso envolveu um vigilante que, mesmo afastado com recomendação de repouso, participou de um churrasco e publicou fotos nas redes sociais. A conduta foi considerada incompatível com o estado de saúde alegado, levando à aplicação de justa causa — posteriormente mantida pelo Tribunal.

O que decidiu o Tribunal?

O TRT-18 entendeu que:

  • A prática de atividades incompatíveis com o afastamento médico pode configurar falta grave;
  • Houve quebra da confiança (fidúcia) necessária à manutenção do vínculo empregatício;
  • A empresa apresentou provas suficientes, inclusive por meio de redes sociais;
  • A penalidade foi aplicada de forma tempestiva, afastando alegação de perdão tácito.

Com isso, a justa causa foi considerada válida.

Redes sociais como prova: atenção redobrada

O caso reforça uma tendência cada vez mais presente: publicações em redes sociais, desde que devidamente capturadas e armazenadas, podem ser utilizadas como prova em processos trabalhistas.

O que as empresas devem observar?

A aplicação de justa causa em situações semelhantes exige análise criteriosa. Destacamos alguns pontos essenciais:

✔ Existência de atestado médico com recomendação específica (ex.: repouso)
Compatibilidade entre a conduta e o estado de saúde
Prova robusta (prints, datas, contexto das postagens, cadeia de custódia/blockchain/ata notarial)
✔ Aplicação da penalidade com imediatidade
✔ Avaliação da proporcionalidade e histórico do empregado

 

Recomendações práticas

Para reduzir riscos trabalhistas, recomendamos:

  • Estruturar políticas internas claras sobre condutas durante afastamentos médicos;
  • Orientar lideranças e RH sobre uso de redes sociais como meio de prova;
  • Realizar apuração cuidadosa antes da aplicação de penalidades;
  • Documentar todas as etapas da investigação e decisão;
  • Evitar decisões baseadas apenas em presunções ou interpretações superficiais.

Conclusão

A decisão reforça que o afastamento médico não é apenas um direito, mas também envolve um dever de coerência de conduta por parte do empregado.

Por outro lado, evidencia que a aplicação de justa causa deve ser feita com cautela, sob pena de reversão judicial e condenações adicionais.


Nossa equipe está à disposição para apoiar na revisão de políticas internas, treinamentos e análise de casos concretos.

Atenciosamente,

Thaís Barbosa de Almeida Gonçalves
Sócia da Chohfi Advogados

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